15. Coração em Chip: Simular Doenças para Salvar Vidas

15. Coração em Chip: Simular Doenças para Salvar Vidas

Tempo Leitura 2-3 min

Mara:
Sejam muito bem-vindos a mais um episódio da Rubrica Científica, o podcast da Scientific Junior Value. Eu sou a Mara Brites e, no episódio de hoje, vamos falar sobre uma inovação impressionante que está a transformar a medicina moderna: o coração em chip. Para nos explicar melhor como funciona esta tecnologia e o seu potencial para a medicina personalizada, temos connosco a Gabriela Silva, membro do Departamento de Bioengenharia. Olá, Gabriela!

Gabriela:
Olá! Obrigado pelo convite! Hoje vamos falar de uma das ferramentas mais promissoras da bioengenharia atual: os chamados órgãos em chip, com destaque para o coração em chip.

Mara:
Então vamos começar pelo início — o que é exatamente um coração em chip?

Gabriela:
É um dispositivo minúsculo, feito com um material semelhante ao silicone, onde existem microcanais que imitam os vasos sanguíneos. Dentro desses canais, cultivam-se células cardíacas humanas vivas, que são capazes de bater de forma rítmica, tal como fariam num coração real. Este modelo permite observar o funcionamento do tecido cardíaco fora do corpo, em tempo real, e com uma precisão extraordinária.

Mara:
Isso é incrível! Mas de onde vêm essas células?

Gabriela:
Muitas vezes, são obtidas a partir de células estaminais pluripotentes induzidas — as chamadas iPSCs, o que significa que podemos transformar, por exemplo, uma célula da pele ou do sangue de um paciente em células cardíacas. Assim, conseguimos criar um modelo funcional do coração desse próprio paciente, o que abre portas para a medicina personalizada.

Mara:
Ou seja, podemos prever como o coração de um doente reagiria a um tratamento, antes mesmo de o aplicar?

Gabriela:
Exatamente! Isso permite testar medicamentos com segurança, avaliar o risco de efeitos secundários e até ajustar doses de forma individualizada. É uma ferramenta valiosa para tornar os tratamentos mais eficazes e seguros.

Mara:
E também é possível simular doenças, certo?

Gabriela:
Sim, e isto é um dos aspetos mais entusiasmantes. Podemos, por exemplo, simular um enfarte ao reduzir o fornecimento de oxigénio numa zona do chip. Ou testar como o tecido cardíaco reage a uma arritmia. Com isso, estudamos mecanismos de doença e testamos diferentes terapias, tudo num ambiente controlado e sem recorrer a testes em animais.

Mara:
Uau… isso representa uma mudança enorme em relação aos métodos tradicionais!

Gabriela:
Sem dúvida. Os modelos animais nem sempre refletem com precisão o que acontece no corpo humano. Já os órgãos em chip oferecem uma plataforma mais fiável e ética, baseada em células humanas e com uma resposta biológica muito mais próxima da realidade.

Mara:
E esta tecnologia é usada só para o coração?

Gabriela:
Não. Já existem chips para o pulmão, fígado, cérebro, intestino e outros órgãos. Há até projetos que ligam vários destes chips entre si, criando o chamado “corpo em chip”, que simula interações entre órgãos num sistema integrado. Isto é extremamente útil para estudar efeitos sistémicos de medicamentos ou doenças complexas.

Mara:
Parece perfeito! Mas ainda há obstáculos, certo?

Gabriela:
Claro. Ainda é uma tecnologia cara, tecnicamente exigente e que requer validação por parte das entidades reguladoras, como a FDA ou a EMA. Mas já há grandes avanços: empresas como a Emulate Inc. e centros como o Wyss Institute, de Harvard, estão na linha da frente desta inovação.

Mara:
Isto parece ser o futuro da medicina: testar terapias num modelo do próprio paciente, antes de o tratar.

Gabriela:
É exatamente isso. O coração em chip representa um passo crucial para uma medicina de precisão, mais ética, mais segura e adaptada a cada indivíduo. Estamos cada vez mais perto de tratar as pessoas com base nas suas características únicas, em vez de soluções genéricas.

Mara:
Fantástico! Muito obrigado, Gabriela, por partilhares connosco esta inovação tão relevante e com tanto potencial.

Gabriela:
Eu é que agradeço, Mara! Foi um prazer falar sobre um tema que está realmente a mudar o panorama da saúde e da investigação biomédica.

Mara:
E assim termina mais um episódio da Rubrica Científica. Se gostaram, partilhem este conteúdo com amigos, colegas ou familiares curiosos por ciência. Continuem a acompanhar-nos para mais descobertas e avanços que estão a moldar o futuro da medicina. Até à próxima!

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